Nova linha editorial para o blog Tembiú - 16 anos depois
Da prática de espalhar tambores de percussão à
prática de compartilhar o pensamento crítico: TEMBIÚ TOTAL
Dezesseis anos depois do último post, volto a este espaço para retomar a produção de conteúdo e compartilhar pensamentos, práticas, reflexões críticas e indicações / sugestões para quem atua no campo cultural.
O blog Tembiú surgiu em 2008 para demonstrar alguns modelos de instrumentos de percussão que eu fabricava na época. Alfaias, zabumbas, caixas e bumbos... tambores artesanais muito usados por músico(a)s e outra(o)s artistas que fazem da percussão parte de sua linguagem. Foram centenas de tambores produzidos entre 2001 e 2009 e espalhados por diversos bairros de Fortaleza, outras cidades do Ceará e outros lugares do Brasil e outros países.
Na real, o meu nome "Tembiú" surgiu dessa prática de produzir e espalhar tambores. Dentro de cada instrumento, desde o meu primeiro tambor, eu assinava o nome "Tembiú". Em tupi, "tembiú" significa "alimento". Não necessariamente "comida", mas um nutriente que pode servir ao espírito e fortalecer as pessoas e o próprio lugar. Quando aprendi o sentido da palavra "tembiú" tratei logo de escrevê-la num caderno, pra garantir a impressão dela ali, perto de mim. Quando construí meu primeiro instrumento (uma alfaia de maracatu), grafei esse termo dentro do tambor. Isso era ano 2001, no bairro paulistano de Santa Cecília, na casa de Teka (minha mestra na construção de tambores) e de sua filha Bárbara (uma admirável dançarina com quem eu cruzava a cidade e o tempo e aprendia amar).
Em 2003, quando vim pra Fortaleza, trouxe meu tambor tembiú e comecei a tocar em shows musicais e cortejos de maracatu. Nesse período, a capital cearense mergulhava numa onda de atividades percussivas. Foi bem nesse ano que surgiu a Caravana Cultural e, com ela a Bienal Percussiva do Ceará, que reuniu pesquisadores, percussionistas, grupos de percussão e curiosa(o)s pela batucada. Rapidamente, comecei a aceitar encomendas de tambores para atender à demanda do pessoal.
Em cada tambor eu escrevia dentro "Tembiú", como quem buscava espalhar pela cidade esse nutriente sensível, potente e criativo do tambor; um alimento de alma que se disseminava no território através da prática percussiva e dos tambores que saíam do meu ateliê, no Benfica.
Com o passar dos anos, fui me envolvendo em outras frentes de ação e a confecção de instrumentos artesanais de percussão foi dando espaço a outras práticas também preciosas pra mim, como criar e ministrar cursos de elaboração de projetos, revisão de textos e livros, formações em educomunicação, assessoria a ONGs e produção cultural e artística de grupos e coletivos da cena fortalezense.
Então esse blog foi ficando de lado e interrompi sua atualização.
Eis que 16 anos depois retomo a essa plataforma para seguir nesse ofício de espalhar tembiú, como quem aposta na partilha como potência coletiva. Agora as partilhas são de pensamentos sobre cultura, política e educação; são convites para uma agenda positiva, criativa e coletiva.
Despretensiosamente pretensioso. Sigo nesse blog Tembiú como uma ofensiva sensível através da palavra comprometida com as lutas coletivas e emancipatórias do campo cultura; palavra aqui compartilhada com o público leitor, a quem sou grato pela atenção.
Conferência sobre o processo histórico das lutas pela cultura em Maracanaú (CE), dia 24 de maio de 2023, na sede do Grupo Garajal


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